|
Complexo da Cachoeira de Salto é entregue à população totalmente recuperado
Na minha infância, perdi a conta das vezes em que visitei o município de Salto, já que a cidade é próxima de Campinas – terra natal da minha mãe e lugar onde moram (até hoje) meus parentes maternos. Lembro bem da Cachoeira de Salto – um dos mais antigos atrativos turísticos do Estado de São Paulo. Mas, no dia 04 de dezembro de 2008, vi essa cachoeira com “um olhar diferente”. Vou explicar o motivo a seguir...
A imprensa foi convidada (inclusive o portal DestaqueSP) para participar da entrega das obras de revitalização do Complexo Turístico da Cachoeira de Salto (que será entregue oficialmente à população neste sábado, dia 06 de dezembro). O atual prefeito (reeleito em 2008), José Geraldo Garcia, e o secretário da Cultura e Turismo, Valderez Antônio da Silva, receberam a imprensa e os convidados em uma tenda na Praça Archimedes Lammoglia. E fizemos um verdadeiro “tour” por todo o complexo. Fiquei impressionada com a história da cidade de Salto, sua cultura e suas belezas. Foi mesmo emocionante ver o “brilho nos olhos” do prefeito e do secretário ao mostrarem e entregarem à população todo o Complexo revitalizado. A cidade de Salto continua a mesma da minha época de infância, mas com um toque de modernidade e de calor humano dos atuais políticos.
O Complexo
Com uma distância de apenas 100 quilômetros da Capital, o Complexo Turístico da Cachoeira de Salto recuperou sua imponência. Após essas intervenções, turistas e moradores voltarão a desfrutar desse patrimônio arquitetônico e paisagístico de grande valor histórico, que faz parte do Roteiro dos Bandeirantes. O local abriga também o Memorial do Rio Tietê, o mais completo museu voltado ao rio. Esse museu é um verdadeiro presente para o País. Vale a pena a visita para conhecer mais de perto o "nosso" rio Tietê.
Formada entre 65 e 30 milhões de anos, a cachoeira do Complexo é a maior queda d’água no leito do rio Tietê. Batizada pelos índios guaianazes de Ytu-Guaçu, que em português significa Salto Grande, a cachoeira deu origem ao nome da cidade. No seu entorno, reúne um conjunto de atrativos como o Memorial do Rio Tietê, a Ponte Pênsil, o Mirante, a antiga fábrica têxtil Brasital, o Caminho das Esculturas, o Jardim, a Ilha dos Amores e a Concha Acústica.
A partir da década de 70, o complexo sofreu as conseqüências do deslocamento do eixo econômico do município para outras áreas, do vandalismo e do desgaste natural.
A revitalização
Para recuperar o espaço, a Prefeitura de Salto investiu cerca de R$1 milhão e contou com o aporte de R$ 800 mil da Petrobrás, por meio da Associação Cultural de Salto. As obras duraram cerca de dois anos.
Entre as atrações que passaram por intervenções está a pequena Ilha dos Amores, um gazebo, um recanto poético e romântico localizado logo acima da cachoeira. A ilha recebeu esse nome porque no passado muitos casais tinham o hábito de permanecer ali para namorar. No entorno é possível contemplar os belos jardins concebidos pelo arquiteto paulista João Walter Toscano, em 1958.
O Memorial do Rio Tietê, um completo museu sobre o rio, ocupa o prédio onde até o início dos anos 70 funcionava o Restaurante de Salto. Em uma ampla parede de vidro com 18 metros de extensão, o mapa do Tietê é reproduzido, da nascente à foz. Além disso, os vidros permitem uma visão privilegiada da cachoeira e da mata ciliar ao entorno.
Durante a visita, painéis, monitores de computador e vídeos permitem que se faça uma viagem didática e envolvente pelo universo do rio. Há ainda um pequeno auditório no qual é possível assistir a um documentário de 30 minutos sobre o Tietê.
Ao lado do memorial, foi construído um charmoso café com deck voltado para a cachoeira e, acima, o amplo Mirante foi recuperado.
Ao sair do memorial, o visitante pode cruzar os 75 metros da centenária Ponte Pênsil, que também foi revitalizada. Construída em 1913 para recuperar o acesso dos pescadores ao rio, ela balança (e esse balanço foi mantido) sobre a margem direita do Tietê. Do outro lado da ponte há um novo atrativo: o Caminho das Esculturas. Ali, é possível apreciar seis obras do escultor Murilo Sá de Toledo, em tamanho natural. As esculturas representam os personagens que, ao longo dos séculos, contemplaram o rio e a cachoeira. São eles: o índio, o bandeirante, padre José de Anchieta, viajantes estrangeiros, pescadores e operários. Ao longo do caminho, em meio aos jardins, painéis oferecem informações sobre cada um desses tipos humanos, o que possibilita uma aula de história ao ar livre.
Daquele ponto, o visitante também pode avistar imponentes prédios que abrigaram as primeiras tecelagens de São Paulo, onde hoje funciona um centro universitário.
|

|
|
Cachoeira de Salto (Rio Tietê) |
Cachoeira de Salto (Rio Tietê)
|
|

|
|
|
Ponte para a romântica "Ilha dos Amores"
|
Escultura na "Ilha dos Amores"
(ao fundo, o prédio da antiga "Brasital")
|
|

|
|
Gazebo da "Ilha dos Amores" |
Vista externa do "Memorial do Rio Tietê"
|
|

|
|
Ponte Pênsil para o "Caminho das Esculturas" |
Vista aérea da área abrangida da revitalização
|
|

|
|
Vista aérea da área abrangida da revitalização |
Vista do Rio Tietê além da "Ponte Pênsil"
|
|

|
|
|
Prefeito da Estância Turística de Salto, José Geraldo Garcia
|
Secretário de Cultura e Turismo, Valderez A. da Silva
|
Sobre Cachoeira de Salto
A Cachoeira de Salto está localizada no que os geólogos chamam de fall line. Ou seja, a linha de queda ou linha de contato entre duas regiões morfológicas do Estado de São Paulo. Isso justifica a perda de altitude do terreno, os trechos de corredeiras e a cachoeira. A conhecida queda d’água de Salto já foi desenhada e pintada por nomes famosos, como os brasileiros Almeida Júnior e Pedro Alexandrino, os franceses Jean-Baptiste Debret e Hercule Florence, e pelo pintor alemão Erich Brill. Viajantes estrangeiros, como o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire e o explorador e cônsul da Rússia, Barão de Langsdorff, também estiveram na região e escreveram notas sobre a cachoeira. O lugar recebeu ainda personagens históricos, como o Imperador Pedro II e sua filha, a Princesa Isabel. A cachoeira também aparece no mais antigo mapa que registra o rio Tietê, de 1628.
Serviço:
O Complexo Turístico da Cachoeira será aberto para visitação a partir do dia 08 de dezembro. Às segundas-feiras, o espaço funcionará das 11h às 17h, e de terça a domingo, das 8h às 17h. Para entrar em contato com o Balcão de Informações Turísticas da cidade, basta ligar para (11) 4029 4718, 4021 0530 ou 4028 1649. Há monitores que orientam e recepcionam grupos de visitantes que podem, inclusive, enviar informações e suporte pedagógico prévio para professores.
Fotos: divulgação
Cléo Tassitani
This e-mail address is being protected from spambots, you need JavaScript enabled to view it
|