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Jovem italiano e seu relacionamento com o futuro PDF Print E-mail
Turismo | Especial
Written by Érica Moreira Ritacco on Wednesday, 18 May 2011 09:47   


Uma pesquisa publicada no dia 17de maio pelo Eurobarómetro, site que realiza análises sobre a opinião pública da Europa, mostrou que os jovens italianos não acreditam mais na utilidade do diploma universitário para o sucesso no mercado de trabalho. Apesar de se tratar de uma desilusão generalizada nos países do velho continente, é na Itália que está o maior índice de descrença: quatro entre dez italianos afirmam que o diploma não é importante para o futuro.

Enquanto na Dinamarca a graduação é considerada um elemento básico, na Itália 93% dos entrevistados acreditam que o estudo não seja um diferencial para o mercado de trabalho. A pesquisa, realizada com 30 mil europeus com idade entre 15 e 35 anos, demonstrou também que um dos fatores de desestimulo dos italianos é a enorme distância existente entre a universidade e o mercado: a cada dois entrevistados, um mencionava este problema. Os números indicaram ainda que somente 22% dos jovens são convictos de encontrar emprego na área em que estudaram e que, ao contrário do que se observa pelo mundo, na Itália só 26% dos entrevistados reconhece o quanto as experiências internacionais podem influenciar positivamente no efetivo desenvolvimento do profissional. São esses os fatores que justificam a queda de 9,2% no número de novos inscritos nas universidades italianas nos últimos quatro anos, de acordo com pesquisa apresentada pelo consórcio especialista em carreiras Almalaurea. 


Sonho impossível?

Jovem italiano e o futuro_2
Esta é realidade que a Itália enfrenta atualmente. Os graduados concorrem às mesmas vagas que aqueles que não tiveram a oportunidade de se formar. E a crise que reina na Europa exerce impacto direto sobre as decisões da população, que muitas vezes acaba não avaliando sequer a possibilidade de buscar uma realização, seja pessoal ou profissional. Não é incomum se deparar com jovens sem perspectiva, formados em Arte, Comunicação, Direito, Engenharia, entre outros.

Não faltam casos de graduados, pessoas inteligentes e cultas, que resolveram deixar de lado o sonho de trabalhar na área, por não acreditarem na possibilidade de ingressarem no mercado e de serem bem remuneradas. São pessoas que apesar de terem se dedicado ao estudo em tempo integral, acabaram influenciadas pelo ambiente ou manipuladas pelo “sistema”, que as fez acreditar completamente na incapacidade de conseguir “o trabalho dos sonhos”.


É verdade que a Itália ainda vivencia uma crise - infinitamente menor do que a Espanha, Portugal ou Grécia -,  assim como é verdade que as empresas exploram cada vez mais seus funcionários, apoiadas por uma lei italiana que não só facilita, como possibilita a elaboração de contratos de trabalhos inúmeras vezes indignos. Para se ter idéia, um indivíduo pode ser contratado como estagiário mesmo muito tempo depois de ter finalizado sua faculdade, o que significa que alguém formado anos atrás corre o risco de atuar como estagiário e receber apenas uma pequena ajuda de custo.

É difícil compreender como um País de primeiro mundo, referência em diversos setores e que atrai para suas universidades estudantes de todas as nações, tenha limitado tanto o investimento para o desenvolvimento de seus cidadãos. Se o futuro está nas mãos dos jovens, então existe um problema real que repercutirá mais adiante. Os jornais citam com frequência a fuga dos talentos nos últimos anos, já que em muitas ocasiões os recém-formados decidem apostar na carreira no exterior, por entender que na Itália deverão enfrentar dificuldades como ser obrigado a aceitar um trabalho mal remunerado, mesmo após anos de aperfeiçoamento, só para ter a oportunidade de atuar na área.

Não é de se estranhar que nos corredores das empresas ou em ambientes públicos não se ouça falar com frequência em temas como pós-graduação, mestrado ou cursos de línguas. Sem estímulo financeiro e possibilidade de crescimento profissional, os jovens se sentem desvalorizados e acabam optando por trabalhar em outros setores, que se não trazem satisfação, ao menos lhe garantem um salário digno. Este é um ciclo vicioso em que o empregador ganha e o Estado perde não somente dinheiro, mas sim o bem mais precioso que um País pode ter: o TALENTO.



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Ilustração: reprodução


Érica Moreira Ritacco
Érica Moreira Ritacco
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