Inicialmente chamado de "folore", com o tempo o bolo ficou conhecido como Folar de Páscoa e tornou-se uma tradição que celebra a amizade e a reconciliação. Durante as festividades cristãs da Páscoa, os afilhados costumam levar, no Domingo de Ramos, um ramo de violetas à madrinha de batismo e esta, no domingo de Páscoa, oferece-lhe em retribuição um folar. Confira a receita:
Ingredientes: • 1 kg de farinha; • 30 g de fermento de padeiro (biológico); • 100 ml de água morna; • 400 g de açúcar; • 2 ovos; • 250 ml de leite quente; • 50 g de manteiga; • raspa da casca de 2 limões; • 2 ovos cozidos com casca de cebola; • sal a gosto. Modo de preparar: • Peneirar a farinha para uma tigela. • Fazer uma cova no meio e despejar o fermento esfarelado, dissolvido em água morna. • Cobrir o fermento com um pouco de farinha. • Envolver a tigela num pano de flanela ou cobertor. • Deixar descansar cerca de 15 minutos. • Depois, misturar a farinha com o fermento. • Juntar o açúcar e os ovos, um a um, mexendo sempre. • Acrescentar e o leite morno, no qual se derreteu a manteiga, o sal e a raspa dos limões. • Amassar tudo vigorosa e longamente. • Abafar a massa novamente. • Depois, deixar descansar perto de uma fonte de calor por, pelo menos, duas horas. • Retirar a massa em dois pedaços e dar uma forma arredondada em cada uma. • Dobrar cada pedaço ao meio. • Com os dedos passados por azeite, moldar em forma de ferradura. • À medida que se forem esticando, dispor em tabuleiros, deixando os folares crescerem. • Na altura de irem ao forno, enterrar os ovos cozidos na massa (um, dois, ou três por folar). • Assar em forno bem quente (220º C) de 15 a 20 minutos. Bom apetite! Lenda: A lenda do Folar da Páscoa é tão antiga que se desconhece a sua data de origem. Reza a lenda que, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana que tinha como único desejo na vida o de casar cedo. Tanto rezou a Santa Catarina que a sua vontade se realizou e logo lhe surgiram dois pretendentes: um fidalgo rico e um lavrador pobre, ambos jovens e belos. A jovem voltou a pedir ajuda a Santa Catarina para fazer a escolha certa. Enquanto estava concentrada na sua oração, bateu à porta Amaro, o lavrador pobre, a pedir-lhe uma resposta e marcando-lhe como data limite o Domingo de Ramos. Passado pouco tempo, naquele mesmo dia, apareceu o fidalgo a pedir-lhe também uma decisão. Mariana não sabia o que fazer. Chegado o Domingo de Ramos, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador se tinham encontrado a caminho da sua casa e que, naquele momento, travavam uma luta de morte. Mariana correu até o lugar onde os dois se defrontavam e foi então que, depois de pedir ajuda a Santa Catarina, Mariana soltou o nome de Amaro, o lavrador pobre. Na véspera do Domingo de Páscoa, Mariana andava atormentada, porque lhe tinham dito que o fidalgo apareceria no dia do casamento para matar Amaro. Mariana rezou a Santa Catarina e a imagem da Santa, ao que parece, sorriu-lhe. No dia seguinte, Mariana foi pôr flores no altar da Santa e, quando chegou em casa, verificou que, em cima da mesa, estava um grande bolo com ovos inteiros, rodeado de flores, as mesmas que Mariana tinha posto no altar. Correu para casa de Amaro, mas encontrou-o no caminho e este contou-lhe que também tinha recebido um bolo semelhante. Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se à sua casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido o mesmo tipo de bolo. Mariana ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina. Confira também: Pastel de Santa Clara
Foto: reprodução
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 Chef Luis Serra www.braseroamatxu.com
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