Meninas e meninos, Ao receber uma indagação de uma internauta que vive e trabalha com vinhos em Portugal, e que ao desarrolhar uma garrafa que estava prestes a servir, surgiu a dúvida sobre ser ou não de bom tom, fazer aquele “ploc”, barulhinho característico da saída da rolha quando a se retira sem muito cuidado, então me ocorre que de fato, de quando em vez, doravante, farei colunas com algumas questões mais relacionadas ao serviço de vinhos, que tantas dúvidas suscitam. Primeiramente temos que saber que as garrafas de espumantes em geral, dos mais gasosos como o Champagne, até os menos, o frizantino, a maneira de se abrir não é muito diferente em questões de barulho, mas sim no proceder. Para estas, que via de regra estão em baldes de gelo, aconselho que se tenha à mão um guardanapo de pano para segurar a garrafa, ou ao menos secá-la, para dar maior firmeza na operação. Retira-se a gaiola, que é aquela gradinha metálica que ajuda a segurar a rolha, com cuidado, segurando-a com o polegar, pois às vezes a rolha já tende a sair, e com firmeza, gira-se a garrafa, vou repetir: GIRA-SE A GARRAFA, enquanto se segura firme a rolha, não deixando que ela sai de uma vez, fazendo o espocar tão característico das imagens comemorativas, mas tão feio e desrespeitoso para com o produtor, que fez de um tudo para ali guardar o gás, que se está liberando de vez e com estardalhaço, caso isto aconteça, deixando o vinho sem borbulhas e chocho. Ao abrirmos uma garrafa de vinho tranquilo (aquele que não é espumante), se estivermos com um bom saca-rolhas como instrumento para tal, devemos abrir a garrafa cuidadosamente para preservarmos a integridade da rolha, e naturalmente com suavidade extraí-la. Bons saca-rolhas não significam artefatos caros e mirabolantes!
Para se abrir uma garrafa de vinho não devemos fazer barulho
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Se não tivermos um bom saca-rolhas, é bom nos prepararmos para as dificuldades deste ato, até porque hoje é muito comum termos vinhos com as rolhas sintéticas, que aderem de tal modo à parede de vidro das garrafas, que muitas vezes é quase um ato de terror retirá-las.
Claro que podemos pensar que os saca-rolhas mais antigos, aqueles que continham a espiral e uma haste em “T”, onde era comum prender-se a garrafa entre as pernas, para ajudar a exercer força para a retirada da rolha, algumas vezes um barulho devia haver, mas hoje com os vários tipos de abridores, principalmente aquele denominado tipo “papagaio”, pois seu formato fechado lembra o pássaro, e que é muito comum e facilmente encontrado, isto não mais ocorre por acaso.
O saca-rolhas deve ter uma espiral com voltas helicoidais e nunca circulares, para preservar intacta a cortiça. Apruma-se a ponta da haste para o centro da rolha, e gira-se a peça, nunca a garrafa. Deve também ter esta haste um comprimento que seja algo em torno de 7cm, pois não devemos introduzi-la até ultrapassar a cortiça, e as há de 7cm de comprimento nos grandes vinhos, para que não caiam fragmentos de cortiça no líquido.
A melhor peça tem dois estágios para encaixe no gargalo, facilitando a retirada da rolha sem muito esforço, dosando-se a quantidade de força a ser exercida e minimizando ao máximo possível dano à rolha.
Deve ter também este abridor, uma lâmina com serrilha para facilitar o corte do lacre, pois se a lâmina for de fio, esta logo ficará cega coma repetição do ato de cortar.
Então vemos que o correto proceder facilita em muito o trabalho de abertura da garrafa, e nunca fazer barulho, já que o barulho mais adequado aos vinhos é o tilintar das taças nos brindes, e os sorrisos de satisfação que estes proporcionam.
Lembrando de uma frase que acho genial, atribuída à Keith Floyd: “Uma cozinha sem saca-rolhas é apenas mais um cômodo da casa".
Até o próximo brinde! |
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Foto: banco de imagem
Álvaro César Galvão 'O engenheiro que virou vinho' divinoguia.blogspot.com
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