Meninas e meninos, Nestas degustações que fazemos com gastronomia regional brasileira e vinhos, experiência magistral, diga-se de passagem, eu tenho aprendido muito.
Nosso prato como da outra vez, foi perpetrado pela amiga Mara Salles, do Restaurante Tordesilhas e agora fomos de Pato no Tucupi.
Prato da cozinha regional do norte do país, preparado especialmente em ocasiões festivas como o Círio de Nazaré, por exemplo, que ocorre em Outubro em Belém do Pará.
O pato é marinado em meio ácido, segundo a Mara, assado e depois mergulhado no molho de tucupi, que vem a ser um caldo amarelado feito da mandioca brava, que é descascada, ralada e espremida tradicionalmente usando-se um tipiti, que vem a ser uma comprida e fina cesta trançada à mão, com duas argolas na ponta, e que depois de cheio da massa da mandioca, é espremido usando-se dois pedaços de madeira nas argolas, um girando para a direta e outro para a esquerda, extraindo o caldo e deixando a massa seca em seu interior.
Depois de extraído, o molho "descansa" para que o amido se separe do líquido. Inicialmente venenoso devido à presença do ácido cianídrico, o líquido é cozido, e com este processo, elimina o veneno, por horas, podendo, então, ser usado como molho na culinária.
Levado ao tucupi, o pato junto com o jambu, erva que provoca dormência nas papilas gustativas, é servido com farinha d’água e pimenta de cheiro. Fácil de harmonizar não acha?
Para começar, ainda tivemos a entrada de Tacacá, um caldo com tucupi, a goma da mandioca tapiocada, jambú e camarão seco.
Esta entrada ficou ótima com um Sauvignon Blanc Framingham 2008 da Nova Zelândia.
Os vinhos foram:
1 – Marson GR Cab.Sauvig 2002 – Brasil 2 – Dom Laurindo Tannat – Brasil 3 – Baron de Lantier Cab Sauvignon 1991 – Brasil 4 – Dal Pizzol 35 anos assemblage – Brasil 5 – Avondale Pinotage 2008 – A. do Sul 6 – Le Cepages 2007 Cab Sauv/Merlot-Roca Maura – Sul da França 7 – Cordilheira de Santana Gewurztraminer 2008 – Brasil 8 – Jeam Luc-Rose de Syrah 2006 – França 9 – Chateneuf du Pape 2006 – Xavier-França 10 – Daremberg Rielsing 2008 – Austrália 11 – Avondale Chenin Blanc 2009 – A do Sul.
Para minha alegria, o grande vencedor, mostrando que minha predileção pelos bons vinhos Brasileiros tem razão de ser, foi o mais decano deles, o Baron de Lantier Cab Sauvig 1991, que, diga-se de passagem, é pela segunda vez muito bem posicionado em degustações onde participo. Foi seguido bem de perto pelo também Brasileiro Marson GR Cab Sauvig 2002 e o Chenin Blanc em segundo lugar e em terceiro outro Brasileiro, o Tannat da Dom Laurindo. Pelas minhas notas arredondadas pelo critério adotado, além do Baron de Lantier também o branco Riesling Australiano foram os mais pontuados por mim.
Mas porque estes vinhos se saíram tão bem?
Os tintos, porque sendo mais evoluídos, já não apresentam taninos que possam influir no prato, que neste caso, o que manda não é a carne do pato, mas o caldo e o jambu.
Para os brancos, a acidez em harmonia com a acidez do caldo; sendo mais aromático, se iguala, sendo mais seco, contrapões-se.
Ouse e se permita experiências sensórias das mais inauditas e interessantes.
Até o próximo brinde!
Fotos: reprodução
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Álvaro César Galvão 'O engenheiro que virou vinho' divinoguia.blogspot.com
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