Para manter o crescimento nas vendas, vinícolas brasileiras investem milhões na modernização dos equipamentos e ampliação de unidades industriais
Há quase um século produzindo espumantes finos, o ano que passou foi de sucesso absoluto para as vinícolas que contam com esta variedade de vinho em sua linha de produtos. O espumante brasileiro que tem conquistado o consumidor local é o mesmo que tem chamado a atenção de especialistas internacionais por sua excelente qualidade, resultando em reconhecimento e premiações pelo velho mundo.
Conquistas feitas graças ao terroir (conjunto de fatores naturais que caracterizam um vinhedo: clima, sol, água, solo, temperatura, o relevo altitude e ambiente) encontrado nas regiões vitivinícolas, que contribuem para o cultivo favorável de uvas que servirão de vinho base para a elaboração dos espumantes.
E de olho neste avanço, vinícolas do estado do Rio Grande do Sul, região responsável por mais de 90% da produção de espumantes finos, investiram R$40 milhões, segundo levantamento da Folha de SP, na modernização dos equipamentos e ampliação de unidades industriais. Tudo para manterem forte o ritmo das vendas para o mercado interno, que até agosto de 2009 cresceu 20% em relação ao mesmo período no ano de 2008.
Por outro lado, o consumo de espumantes importados, mesmo com a queda do dólar, acumula retração de 22% até junho, conforme último dado disponível.
Hoje, após estudos, inovações e adequações, o espumante brasileiro é o exemplo a ser seguido por brancos e tintos para a conquista sólida da confiança do consumidor estrangeiro. Porém, não podemos esquecer que a base do espumante é o vinho, seja ele branco (chardonnay e riesling), mas também tinto (pinot noir), o que já é um grande indicador de melhoria na qualidade do produto nacional. Mas neste ponto é preciso que haja uma conscientização por parte das vinícolas, que devem trabalhar cada vez mais a qualidade dos seus produtos ao invés de quantidade. Mas vamos voltar ao foco desta primeira coluna, que trata do espumante. Brancos, tintos e rosés abordaremos em outras ocasiões.
Há menos de um ano, após observarem a fatia promissora deste mercado, Juarez, João e Erielso Valduga, acionistas da Famiglia Valduga Co, resolveram investir em uma empresa que, num primeiro momento, tivesse foco somente na produção de espumantes. E assim surgiu a Domno, com sua linha Ponto Nero Brut e Moscatel. Em menos de 12 meses a marca foi premiada em dois concursos internacionais: na Espanha, com o Ponto Nero Brut, recebendo a prata. E nos EUA, com o Ponto Nero Brut e o Ponto Nero Moscatel, recebendo medalha de bronze.
A vinícola está localizada no município de Garibaldi, Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, em um espaço com vinhedos já pertencentes ao grupo Valduga, situada na região do Vale dos Vinhedos (Bento Gonçalves, com 691 metros de altitude. E Encruzilhada do Sul, região da Campanha, com 432 m). Com a intenção de ser tornar uma especialista na elaboração pelo método charmat, o qual fica no mínimo quatro meses em autólise (Onde há o rompimento das células mortas das leveduras da segunda fermentação. A autólise cria aminoácidos, que são os precursores da complexidade de aromas, corpo e cremosidade do espumante), o grupo pretende investir no aumento da capacidade produtiva e na linha de produtos que irão compor a carta de 2010.
Além de produzir seus rótulos próprios, a Domno também atua como importadora. Uma manobra bem utilizada para aumentar sua lista de produtos, oferecer maior variedade aos consumidores e o mesmo tempo explorar um mercado que ajuda a difundir a empresa país afora. “As oportunidades de mercado são muitas para as empresas que focarem em elaborar produtos de alta qualidade”, afirma André Valduga, gerente comercial, referindo-se ao retorno garantido que terão aqueles que se preocuparem com a qualidade e não quantidade dos produtos comercializados.
E com tanto investimento feito por parte das vinícolas, resta ao consumidor aguardar para conferir as novidades que surgirão no mercado. E as expectativas são as melhores, afinal, há um ano o espumante se consolidou no mercado internacional e tem conquistado cada dia mais o paladar do consumidor brasileiro. |