100 anos de cultura
O Theatro Municipal de São Paulo nasceu embalando os sonhos de uma cidade que crescia com a indústria e o café e que nada queria dever aos grandes centros culturais do mundo no início do Século XX. Era um desejo antigo da população, que desde 1898 estava órfão de um grande complexo cultural. O Teatro São José, na Praça João Mendes, era o ponto de encontro da época, mas foi vítima de um incêndio que destruiu não só sua estrutura, mas também o desejo dos paulistanos de conferirem importantes manifestações artísticas. Não se tratava apenas de cultura, e sim de glamour, de integração com o alto escalão da cidade. Da sensação de ter um passatempo até então desfrutado com requinte apenas no continente europeu. O arquiteto Ramos de Azevedo e os italianos Cláudio Rossi e Domiziano Rossi iniciaram a sua construção em 1903 e, em 12 de Setembro de 1911, o Theatro Municipal foi aberto ante de uma multidão de 20 mil pessoas, que se acotovelava às suas portas. A ópera Hamlet foi a escolhida para inauguração, do francês Ambroise Thomas, cujo libreto foi baseado na obra homônima de Shakespeare. A peça O Guarani, de Carlos Gomes, na abertura, foi precedida pelo barítono Titta Ruffo, como protagonista da ópera Hamlet. São Paulo se integrava, então, ao roteiro internacional dos grandes espetáculos. A construção do Theatro Municipal foi considerada arrojada para a época: recebeu influência da Ópera de Paris e sua arquitetura exterior tem traços renascentistas barrocos do século XVII. Em seu interior, muitas obras de arte: bustos, bronzes, medalhões, paredes decoradas, cristais, colunas neoclássicas, vitrais, mosaicos e mármores garantem um banquete para os olhos do espectador mais atento. Duas grandes obras marcaram as mudanças e renovações no Theatro: a primeira, em 1954, criou novos pavimentos para ampliar os camarins, reduziu os camarotes e instalou o órgão G. Tamburini; a segunda, de 1986 a 1991, restaurou o prédio e implementou estruturas e equipamentos mais modernos.
|
|
|
Desenho do corte da planta original do Theatro Municipal Ilustração: acervo FAU-USP
|
|
|
|
Operários italianos que trabalharam na construção do Theatro, 1911 Foto: acervo MTM
|
|
|
|
Primeiro Corpo de Baile do Theatro Municipal Foto: acervo MTM
|
|
|
|
Restaurante do Theatro Municipal, 1911 Foto: acervo MTM
|
|
|
|
Vista exterior do Theatro Municipal e arredores, 1917 Foto: acervo FAU-USP
|
Centenário Para celebrar o Centenário, em 12 de Setembro de 2011, o Theatro Municipal de São Paulo sofreu a terceira obra, esta bem mais complexa que as demais, por restaurar todo o edifício e modernizar o palco. Foram três anos de reforma. Para tal, as fachadas e a ala nobre foram restauradas, 14.262 vidros que compõem os conjuntos de vitrais recuperados, as pinturas decorativas resgatadas com base em fotos antigas e o palco foi equipado com os mais modernos mecanismos cênicos. O Theatro Municipal de São Paulo passou de departamento da Secretaria Municipal de Cultura à Fundação pública de Direito público em 27 de maio de 2011, o que confere maior agilidade e autonomia à gestão. Hoje, o Theatro coordena escolas de música e dança e busca desenvolver cada vez mais o trabalho de seus corpos estáveis. O corpo artístico do Theatro Municipal de São Paulo é composto pela Orquestra Sinfônica Municipal, Orquestra Experimental de Repertório, Balé da Cidade de São Paulo, Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, Coral Lírico, Coral Paulistano e as Escolas de Dança e de Música de São Paulo.
|
|
|
Vista exterior do Theatro Municipal e arredores, 2011 Foto: Jefferson Pancieri/SPTuris
|
|
|
|
Vista geral da sala de espetáculo, 2011 Foto: Gal Oppido
|
|
|
|
Detalhe do balcão simples do 4º andar, 2011 Foto: Gal Oppido
|
|
|
|
Detalhe dos camarotes, 2011 Foto: Gal Oppido
|
|
|
|
Detalhe do teto do Salão Nobre, 2011 Foto: Gal Oppido
|
Curiosidades: • No dia da inauguração do Theatro Municipal, a cidade presenciou seu primeiro grande congestionamento. “Dizem que São Paulo parou porque os convidados chegavam em suas carruagens e não era de bom tom saltar na esquina e entrar a pé”, conta a historiadora Marcia Camargos. • Símbolo contestatório, a escadaria externa foi palco de muitas manifestações. De lá, Cacilda Becker, Walmor Chagas e Fernanda Montenegro reivindicaram a democracia durante o regime militar, fato que o documentário também resgata com imagens de arquivo. Fernanda, junto com outros artistas, participou do movimento Teatro na rua contra a censura, em 1968, na Praça Ramos de Azevedo. Na ocasião, a um repórter, ela declarou: “A greve, que pela primeira vez está sendo feita, infelizmente num teatro brasileiro, é contra a censura e a favor da cultura”. • Pelo palco do Theatro Municipal passaram nomes como Maria Callas, Enrico Caruso, Arturo Toscanini, Claudio Arau, Arthur Rubinstein, Ana Pawlova, Nijinsky, Isadora Duncan, Nureyev, Margot Fonteyn, Baryshnikov, Duke Ellington, Ella Fitzgerald. • Tantos nomes, tantos espetáculos e ainda o cenário do movimento que promoveu uma grande transformação cultural no Brasil: a "Semana de Arte Moderna de 22". Fonte: www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/theatromunicipal Confira também: Memorial do Imigrante
|
|
|
|
Cléo Tassitani
This e-mail address is being protected from spambots, you need JavaScript enabled to view it
|