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Salve os símbolos do Brasil! PDF Print E-mail
Cultura | Educação
Written by Prof. William Sanches on Monday, 26 October 2009 09:49   




Símbolos do Brasil_2
Salve o símbolo augusto da amada terra do Brasil!

O subtítulo deste artigo foi elaborado com palavras retiradas de dois versos do “Hino à Bandeira”, com letra de Olavo Bilac e música de Francisco Braga. Aos leitores mais “maduros”, tal informação pode ser até desnecessária, pois o citado hino está bem vivo em sua memória já que, em seu tempo de estudante, ele era cantado pelo menos uma vez ao ano : no dia 19 de novembro, o Dia da Bandeira, um dos símbolos mais importantes (augustos) do nosso país. Ao leitor mais jovem, entretanto, todas as informações sobre a Bandeira, sobre o “Hino à Bandeira” e sobre tudo que se relaciona aos símbolos da nossa Pátria são, certamente, novidades, pois o brasileiro da atualidade tem pouco contato com esses símbolos.


Para aqueles que acreditam na relação entre amor, conhecimento e respeito, amar a Pátria plenamente pressupõe também conhecer e respeitar seus símbolos. A emoção que nos leva às lágrimas quando vemos a bandeira tremulando e quando ouvimos o nosso maravilhoso “Hino Nacional” em competições esportivas internacionais não bastam para expressar o amor que sentimos pela nossa Pátria.


Recentemente, uma emissora de televisão fez uma reportagem muito interessante e instituiu um prêmio para quem cantasse corretamente o “Hino Nacional Brasileiro” em plena Praça da Sé, em São Paulo. Professores, advogados, comerciantes, enfim, muitos se arriscaram, mas ninguém conseguiu levar para casa o tal prêmio, pois sempre um erro era cometido em algum verso, em alguma estrofe, sem contar o grande número de pessoas que não passaram do primeiro verso: “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas...”.



Pátria amada, Brasil!

Para quem pensava que pelo menos o “Hino Nacional Brasileiro” fosse o símbolo da Pátria mais conhecido dos brasileiros, o citado concurso provou que ele é conhecido apenas superficialmente. Muitos cantam seus versos, mas poucos sabem o que ele está expressando por conta da presença de palavras poucos conhecidas (plácidas, brado, retumbante, fúlgidos, impávido, garrida, lábaro, fulguras, florão etc) e pela complexidade sintática das frases que compõem seus versos e estrofes, já que muitos dos seus termos estão invertidos: no início do poema, o sujeito da oração – As margens plácidas – tem sido escrito e pronunciado como se fosse um adjunto adverbial de lugar, aparecendo, inclusive com crase em algumas versões; tal equívoco ocorre porque esse termo aparece “fora do seu lugar normal na frase” (“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / de um povo heróico o brado retumbante), que seria : As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico.

Quanto aos seus autores, a questão fica ainda mais delicada, pois até professores muitas vezes não sabem responder quem são eles e essa informação fica guardada nos livros das estantes das casas ou das bibliotecas, nos “sites” da internet ou na memória daqueles que têm ou tiveram contato diário com o “Hino Nacional”: o autor da letra é Joaquim Osório Duque Estrada e o da música, Francisco Manuel da Silva.

Quem nunca ficou observando os movimentos labiais dos jogadores antes de uma partida de futebol para ver se estavam realmente cantando ou somente fazendo movimentos “enganando” os milhões de torcedores e telespectadores? Um gesto corporal, o de colocar as mãos no peito e ficar com os pés juntos durante a execução do Hino, em respeito à sua importância e ao seu significado, sempre vem acompanhado de um ato inusitado, como por exemplo, mascar “chiclete”. Quando se fixa o olhar na tela da televisão, constata-se que quem fez isso foi um famoso jogador, um ídolo e, por isso, modelo para jovens e crianças que veem e consomem a sua imagem, ou seja, fixam expressões, gestos, comportamentos sem que isso seja percebido pela família, que por sua vez não se preocupa em passar adiante o respeito que aprenderam na escola há um tempo não muito distante.

São raríssimas as escolas que mantêm, por exemplo, a solenidade de hasteamento da Bandeira Brasileira ao som do “Hino Nacional”. Até bem pouco tempo, no entanto, essa era uma prática constante nas escolas em qualquer nível de ensino, na rede oficial ou na particular. Essa prática, no entanto, foi se perdendo com o decorrer dos anos. Primeiro hasteavam a bandeira todas as semanas, quinzenalmente, durante algumas solenidades, antes dos jogos, na semana da Pátria, no dia da Bandeira, no final do ano letivo. Tudo isso que sempre pertenceu ao universo das nossas mais importantes raízes e tradições foi desaparecendo das práticas e das festividades escolares, o que fez com que os brasileiros mais jovens fossem se distanciando desses símbolos augustos e, com isso, o respeito e o amor à Pátria tornaram-se menos expressivos, menos intensos.


EMC, OSPB e EPB

Além das solenidades de hasteamento à bandeira, normalmente semanais, as escolas também tinham na sua composição curricular disciplinas como Educação Moral e Cívica (EMC), Organização Social e Política Brasileira (OSPB) e Estudos de Problemas Brasileiros (EPB), que estudavam, em seu conteúdo programático, tudo sobre os símbolos da Pátria. Como essas disciplinas foram implantadas como obrigatórias pelo regime militar pós 64, elas foram sendo extintas à proporção que o país foi reconquistando a democracia e a prova de que um dia existiram está nos velhos e empoeirados livros dessas disciplinas nas prateleiras das bibliotecas, nos sebos ou nas caixas de papelão dos arquivos mortos das escolas e dos porões das residências . Além de EMC e OSPB e EPB, nas aulas de Música aprendia-se todos os hinos brasileiros: o “Hino Nacional”, o “Hino à Bandeira”, o “Hino da Independência” e outros também.

Até as escolas tinham seus hinos. Aprendia-se letra e melodia e a professora de Música interrompia a execução de qualquer hino quando, durante as longas horas de ensaios, ouvia uma palavra, um ritmo atravessado ou um som desafinado. Não havia uma festa sequer que não fosse iniciada com a apresentação do “Hino Nacional Brasileiro”, que tinha, ainda, seu texto integral nas capas de cadernos. Os fabricantes de cadernos, atualmente, nem pensam em substituir as imagens de artistas, modelos e pessoas bonitas, muito menos as marcas ou logotipos estrangeiros propagados pela mídia como altamente rentáveis, pela letra do “Hino Nacional”.

Era muito natural saber cantar “de cor ” (e de coração) o “Hino Nacional Brasileiro” na íntegra e corretamente, inclusive na postura física.

Hoje, infelizmente, tudo isso se modificou radicalmente. O nacionalismo, como tantos outros valores, foi enculcado e plantado nas pessoas muitas vezes para um fim negativo. Os governos ditatoriais, por exemplo, sempre o utilizam para fins de repressão, de censura, de violência de todos os tipos. Quando ele, no entanto, é condutor de práticas individuais e coletivas com pretensões construtivas, faz com que a sociedade evolua intelectual e moralmente, que tenha ordem e progresso e que a vida e a liberdade sejam sua meta, e tudo isso só acontece de fato quando há amor à Pátria por parte de todos: desde o governante do país e das pessoas mais cultas e ilustres até os mais simples e sem escolaridade alguma.

O conhecimento e o respeito à Pátria e aos seus símbolos são sinônimos do amor verdadeiro que leva o povo de qualquer nação a querer o que há de melhor para ela e para todos os que habitam no ventre dessa mãe , cujo nome tem a mesma raiz da palavra pai. Urge restaurar esses sentimentos e valores.


Que o conhecimento e o respeito sobre os quais se refletiu neste artigo saiam, então, dos livros velhos das bibliotecas e dos cadernos antigos e passem a habitar as escolas, as casas e os corações de todos os brasileiros.


Salve os símbolos augustos da Pátria! Salve!



Fotos: banco de imagem


William Sanches
Prof. William Sanches
www.williamsanches.com.br

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