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Written by Prof. William Sanches on Friday, 08 April 2011 17:38
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O país inteiro acompanhou – aterrorizado – o massacre ocorrido no Rio de Janeiro nesta quinta-feira, dia 07. Um jovem de 23 anos atira e mata mais de dez crianças dentro de uma escola. Cena jamais narrada no território nacional. Antes, acompanhávamos até com certo desdém essas notícias vindas dos EUA ou de algum outro país distante. Parecia algo longe demais para ser uma realidade nossa. A proximidade do caso chocou o país. Foram mais de 22 feridos, na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Realengo e cerca de 190 milhões de brasileiros marcados pelo medo, pela sensação de insegurança, pelo desamor irracional que assusta sem escolher idade nem padrão social. Ninguém escapou imune, nem que seja por alguns instantes, de se colocar no lugar daquelas pessoas envolvidas no massacre frio e desumano. Foram vidas interrompidas, mas, sobretudo, vidas que estavam começando a desabrochar. Adolescentes cheios de vontades, filhos que prometeram aos seus pais uma vida melhor, uma carreira de sucesso, ou, simplesmente, crianças carregadas de sonhos como as que conhecemos por toda parte. As cenas inenarráveis talvez choquem ainda mais porque aconteceram dentro de uma escola. Lugar considerado a extensão dos lares, lugar seguro, acolhedor, que proporciona diariamente evolução a tantas pessoas, mas que há muito deixou de carregar esses adjetivos. A educação no Brasil é vista como quarto ou quinto plano na lista de prioridades. Vivemos uma época com um número grande de perdas humanas em terremotos, acidentes ou qualquer outra coisa que possa ser justificável. A dor da perda não se explica, mas pode, enfim, tentar entender o porquê. Em um caso como esse, onde tantas vidas foram interrompidas nas primeiras horas de um dia letivo, quando as crianças ainda entravam e se arrumavam para mais um dia de aula, não se pode encontrar saída, nem explicação, muito menos luz no fim do túnel. Não sei dizer se o que mais fere é imaginar as mães que deixaram seus filhos para NUNCA mais os verem com vida. Escrevo essas linhas com dor no peito e mãos geladas. A dor de um educador que defende a educação como ferramenta de evolução, de resgate de sonhos, de possibilidade de uma vida melhor. E mãos geladas de um professor que sabe o que é ter diante de si todos os dias crianças e jovens buscando construir sua própria história. Tenho certeza de que a dor de um irmão, de um pai ou de uma mãe que perdeu, bruscamente, a pessoa mais amava não se compara à minha. Mas, nós brasileiros, podemos unir nossa dor e transformar em anseio por um país que resgate valores humanos, que busque e viva o respeito e não ache ‘bobeira” valorizar o amor. Esse que é o sentimento mais simples, mais puro e mais poderoso, que salva vidas e que não interrompe bruscamente a escrita de outros irmãos indefesos.
Nota da redação: o portal DestaqueSP se solidariza com as famílias das vítimas do ataque ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro.
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 Prof. William Sanches www.williamsanches.com.br
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