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Frequentemente recebo mensagens descontraídas analisando as relações ou sugerindo como lidar com o cotidiano e acho até divertidas, porém... Desculpem-me as amigas que enviam este tipo de mensagem, mas hoje eu preciso analisar este tema. Já recebi algumas vezes uma mensagem que diz algo assim: “Foi provado, após acompanhamento de vários casos, que todas as mulheres precisam de dois homens: um em casa e outro fora de casa...  O marido cuida da parte financeira, paga as contas dos filhos, da esposa e da casa. O outro cuida de ti na cama. O marido fala dos problemas, das contas a pagar, das dificuldades do dia. O outro fala da saudade que sentiu de ti durante a tua ausência... O marido telefona para perguntar o que tem que comprar no supermercado... O outro telefona só para dizer que sente saudades... O marido dorme com um pijama velho, de cuecas e, às vezes até de meias. O outro dorme completamente nu, abraçadinho a ti... Bem, vais perguntar: - Por que não trocar o marido pelo amante? Pelo simples fato de que o amante, se for viver contigo, passará para o papel de marido e logo, logo, terás de encontrar outro”... A mensagem ainda segue com muitas comparações e dizendo que se você for “egoísta” e não passar isso a, ao menos, cinco amigas em dez minutos, ficará sozinha... Em primeiro lugar, gostaria de saber quem acompanhou, quais casos e qual a fundamentação para estas afirmações. Indo mais a fundo, chego a sentir pena das mulheres que se deixam levar por estes pensamentos e “condições”. Antigamente era o marido que sustentava a casa, cuidava da parte financeira e a mulher não esperava que fosse bom amante, bastava ser bom provedor. Os tempos mudaram, as mulheres emanciparam-se, passaram a ter sua própria renda e ficaram mais exigentes, passaram a querer um homem bom de cama, romântico, atencioso, entre outras qualidades. Então, na maioria dos casos, os dois trabalham, os dois contribuem com as despesas da casa, os dois têm a hora de reclamar da vida, do trabalho, do transito e os dois têm momentos românticos, sensuais, enfim, a relação segue equilibrada entre a realidade do cotidiano e a descontração e felicidade dos momentos a dois... Neste tipo de relação, que eu entendo como ideal, não há marido/esposa ou amante, há duas pessoas que se amam, vivem juntas, se apóiam, se entendem, conversam, transam, enfim, relacionam-se por completo.  Se há outros tipos de relacionamentos, em que um só sustenta a casa (hoje em dia muitas mulheres saem para trabalhar e deixam o homem em casa cuidando do lar e dos filhos) e se os dois se entendem bem assim, tudo bem também. O importante é encontrar o melhor tipo de relação para cada casal. O que não da para aceitar é que, nos dias de hoje, uma mulher ainda pense tão pequeno imaginando que o marido deve “sustentá-la” e também sustentar a casa, os filhos etc. e o amante seja somente para lhe dar prazer. Aliás, querida internauta, pense bem, se um homem aproxima-se de uma mulher somente para dizer que sentiu saudade, só cuida dela na cama, não se envolve com seus problemas, não participa do seu orçamento doméstico e só tem prazer a oferecer, está “usando” a mulher, não acha? Está na hora de deixarmos de ser tão sonhadoras, de imaginar que um homem seja somente marido ou somente amante ou somente amigo. E procurarmos o homem real que nos ajuda a pagar as contas domésticas, que reclama do trânsito e do trabalho mas também faz amor de tirar o fôlego e, se dormir de pijama velho e de meias, ainda assim é capaz de nos fazer delirar porque o que importa não é a embalagem é o conteúdo. E, para finalizar, já que, ao invés de passar a mensagem que recebi a apenas cinco amigas num prazo de dez minutos, eu estou passando a inúmeras leitoras por tempo indeterminado, vou querer a sorte de ter para sempre ao meu lado este maravilhoso homem normal que tem defeitos e tem qualidades e que, acima de ser meu provedor ou meu amante, é meu homem... Inteiro e real...
Fotos: banco de imagem
 Dra. Lou de Olivier
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