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Independência química PDF Print E-mail
Comportamento | Mulher
Written by Dra. Lou de Olivier on Tuesday, 04 October 2011 06:54   





Independência química_2

Independência química_3



“A Psiquiatria me considera um doente, um adicto, minha família me considera um problema,
a sociedade me considera um viciado,
a polícia me considera um marginal
e eu nem sei quem sou”...

Confesso que, quando li esta frase, percebi que eu teria que ser muito boa pesquisadora e escritora para discorrer sobre este assunto pois este “usuário anônimo” em sua simplicidade de personalidade e na complexidade de seu vicio conseguiu condensar totalmente o assunto, o problema, a essência do uso de drogas em uma única frase.

É isso. O conflito de classificações, a ausência de uma identidade bem definida, a falta de possibilidades de entendimento, o despreparo da família e, o que é pior e até criminoso, o despreparo de “profissionais” para lidar com este assunto. Tudo isso gera o que esta frase inicial acusa...

E como lidar com isso? É o que eu tentarei, humildemente, apontar.

Antes de discorrer sobre o assunto devo afirmar que não sou dona da verdade, ninguém é. Não posso afirmar que exista um método totalmente eficaz, porém, posso sim, afirmar com convicção que há métodos que funcionam muito bem enquanto outros apenas camuflam o problema e é por isso que mais uma vez estou iniciando uma grande batalha, desta vez, pela real Independência Química... Porque dependência química já foi muito discutida e até hoje não há consenso mas a independência química nem precisa de discussão, é algo palpável que pode ser implantada e vivida de forma concreta. Que pode, de fato, curar este vicio.

Analisemos os termos: Adicto, o que vem a ser adicto? E por que se classifica um usuário de drogas como “adicto” em muitas clinicas e comunidades?

Do latim addictus (entregue a alguém como escravo). Define-se como uma pessoa francamente propensa a uma determinada prática - uma crença, uma atividade, um trabalho - ou partidária de determinados princípios.

Bem, por ai já se define que adicto pode ser um “escravo” de qualquer coisa (sexo, álcool, drogas, chicletes...) Ou seja, o termo adicto por si só não define esta necessidade viciada de uma droga. Então pode-se classificar como “drogadicção”. A partir daí admite-se a “impotência”, a escravidão diante do vicio. Errado! Este é o primeiro passo para o fracasso de um tratamento. Aliás, quanto aos passos de um tratamento, vamos discutir isso em breve.

Onde pretendo chegar? Onde já deveríamos estar há tempos, o fator essencial que define o sucesso ou o fracasso de uma recuperação, a necessidade de tratamento. Provavelmente pelo fator comercial, proliferam-se clinicas e comunidades que se dizem “recuperadoras” mas que propõem terapias obsoletas, infundadas e sabe-se lá porque, ainda estão lotadas de desavisados que se submetem aos “tratamentos” sem sequer questionar em que são fundamentados. E quem os aplica.

É preciso ter consciência de que terapia é algo muito sério, dependendo do caminho (rumo) que se toma numa terapia pode-se perceber somente o lado bom ou o lado ruim de uma situação, também pode-se perceber uma situação distorcida, irreal e, pior ainda, tomar decisões ilusórias que, a principio, parecem acertadas porém, a longo prazo, são frustrantes. Por isso qualquer técnica de terapia só pode ser ministrada por um profissional capacitado, especializado no assunto e nunca por leigos e curiosos por mais bem intencionados que sejam.

Algumas comunidades citam a TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) como técnica de tratamento porém o que os desavisados “terapeutas” não percebem é que TCC é um termo que abrange varias abordagens em se tratando de “cognitivo, comportamental e cognitivo-comportamental“ e, em meio a muitas definições complicadas, o resumo é que a o cognitivo se refere ao pensamento/crenças e o comportamental obviamente ao comportamento desencadeado pelo pensamento. TCC ou PCC parte do principio que a atividade cognitiva pode ser modificada e alterada; o comportamento desejado pode ser influenciado a partir da mudança cognitiva. Costuma ser uma terapia breve, caríssima quando aplicada por um profissional competente e nem sempre é indicada. Cada caso precisa ser analisado individualmente para decidir-se pela melhor técnica para cada um.

A TCC pode ser útil em alguns casos, em outros pode ser uma das piores terapias para um viciado e já explico por que. Muitas linhas deste tratamento proposto focam-se no que o paciente pensa sobre si mesmo e/ou sobre a situação que vive (cognitivo) e como isso afeta suas atitudes (comportamental). Este processo acaba analisando basicamente a situação que está acontecendo no momento e evita buscar causas no passado. Ou seja, isenta-se totalmente o passado que provavelmente gerou o inicio do uso e busca-se somente o estilo de vida atual.

Isso gera no paciente uma possível aversão ao momento em que está vivendo como se mudando o pensamento e o comportamento neste momento pudesse afastar o vicio. Se fosse tão simples assim, não haveria mais tantos viciados nem necessidade de tratamentos, Muito menos tantas recaídas, geralmente, no mesmo dia em que “recebem alta” (ou fogem) desses tratamentos. Bastaria mudar radicalmente o ambiente e o estilo de vida.

A essência disso é que a terapia acaba sendo superficial porque desconsidera o que levou o dependente a iniciar o vicio, desconsidera o fator principal que é a própria dependência química que desencadeia a crise de abstinência e a necessidade de continuidade do uso. Desconsidera a ausência de auto-estima e de base de personalidade pois fixa unicamente no momento e não na construção da personalidade. Isola a família e ainda a classifica como “facilitadora”, impõe uma serie de regras e criam um mundo a parte ilusório e “autista”, onde o toxicômano resolve tudo sozinho e apenas comunica suas decisões aos familiares, amigos e até aos contatos comerciais. Não se importando com sentimentos dos envolvidos nem com prejuízos materiais que suas “decisões” possam causar aos que conviveram com ele até esta internação...

É importante frisar que a família, mesmo sendo disfuncional, nem que todos os membros sejam viciados ou tenham graves desvios, JAMAIS deve ser definida como facilitadora ou como prejudicial. E JAMAIS EM TEMPO ALGUM, deve haver afastamento dos laços familiares nem mesmo em nome de uma “pseudo terapia” que se anuncia como “recuperadora“. A família é a base, a estrutura, o único motivo e a única solução para o sucesso de um tratamento.


NOTAS IMPORTANTES:

A Organização Mundial da Saúde (OMS) não classifica o usuário dependente como adicto uma vez que se considera que o abuso de drogas não pode ser definido apenas em função da quantidade e freqüência de uso.

Referências no assunto como Dr. Ronaldo Laranjeira e Dra. Ana Cecilia Marques (ABP) defendem o tratamento fundamentado em carinho, complacência e respeito, sendo que o departamento de Dependência da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) recomenda que se dê atenção ao que a CIÊNCIA indica em relação aos diversos tratamentos reservando a internação apenas para casos gravíssimos que colocam a vida do paciente ou familiares em risco (homicidas, suicidas etc.). Desconhece o efeito terapêutico dos chamados “confrontos” além de outras recomendações que citarei numa próxima oportunidade.


ATENÇÃO:

Este artigo continuará na próxima publicação e aproveito para anunciar nossos cursos para a Independência Química. Um para profissionais de Terapia e outro para pais e usuários que queiram abandonar o vicio. Os profissionais alvo deste treinamento, são: Terapeutas (Psicólogos, Psicoterapeutas, Psicanalistas e outros profissionais interessados em atuar ou já atuantes em dependência química). E frisando bem que, no curso, aprende-se a tratar a família como um todo e sempre unida. Mais informações: This e-mail address is being protected from spambots, you need JavaScript enabled to view it


Confira também:
Ter ou não ter (filhos)?





Fotos: banco de imagem


Lou de Olivier
Dra. Lou de Olivier

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www.loudeolivier.com.br

 

 

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