Steiner Sons e Piano

Caruso aulas de música

Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.

Recital de Bruno Felix Sousa



Get the Flash Player to see this player.

  
Custom Search

Bar do Juarez

Beephoto

Tudo para Mergulho

Celebridade Vira-Lata

Casa Hope

Compartilhe o DestaqueSP

Add para:http://www.destaquesp.com/ JBookmarks Add para:http://www.destaquesp.com/ Facebook Add para:http://www.destaquesp.com/ Webnews Add para:http://www.destaquesp.com/ Favoriten.de Add para:http://www.destaquesp.com/ Del.icoi.us Add para:http://www.destaquesp.com/ Reddit Add para:http://www.destaquesp.com/ StumbleUpon Add para:http://www.destaquesp.com/ Netscape Add para:http://www.destaquesp.com/ Yahoo Add para:http://www.destaquesp.com/ Technorati Add para:http://www.destaquesp.com/ Google

banner_celebridades.jpg

Maestro João Carlos Martins PDF Imprimir E-mail
Celebridades | Entrevistas
Escrito por Cléo Tassitani on Dom, 01 de Agosto de 2010 12:27   

Maestro João Carlos Martins_2


Um clássico popular brasileiro


O maestro João Carlos Martins recebeu a equipe do portal DestaqueSP (eu e a Kley Tassitani, editora-chefe e fotógrafa) em seu apartamento nos Jardins. Como toco piano desde criança, não é preciso destacar aqui que foi uma emoção entrevistá-lo. Acompanho a carreira do maestro desde muito jovem e estar em seu apartamento, conhecer um pouco do seu dia-a-dia, foi gratificante não só como jornalista, mas como ser humano. Afinal, o maestro João Carlos Martins é um exemplo a ser seguido. Confira nosso bate-papo:


Sei que você é paulistano. Como foi sua infância com os seus irmãos, sua mãe, seu pai?... Você deu trabalho na escola?
Nasci em Perdizes e fui criado na Vila Mariana. Venho de uma família de pai português e minha mãe nasceu no interior de São Paulo, em Ribeirão Preto. Comecei a tocar aos cinco anos de idade. Somos em quatro irmãos, todos homens: o mais velho é um dos maiores tributarista do Brasil, o Yves Gandra Martins; o outro é um pianista maravilhoso, o José Eduardo e o outro é um colecionador. Bem, sou pianista e maestro. Aos oito anos comecei meus estudos de piano, por causa de um tumor que tive no pescoço (fiquei com ele aberto durante dois anos). Aí percebi que eu levava jeito para a música e, aos oito e meio, ganhei um concurso nacional, executando as músicas de Bach ao piano. Aos 13, iniciei a carreira nacional e aos 18, internacional. Aí começou uma vida de derrotas e vitórias.

Derrotas, não!!! Você não teve derrotas!!!
Eu vivia a “vida dos sonhos”: correndo o mundo inteiro, levando o nome do Brasil pra tudo quanto é canto, tocando com as maiores orquestras do mundo... Mas aos 26 anos, acontece a primeira adversidade: estava no Central Park, em Nova York, jogando futebol, com o time da Portuguesa (do qual sou torcedor) e numa queda uma pedra rompeu meu nervo lunar e desde então, até os 62, foi uma vida com muitos dramas e com muitas plataformas, porque de cada adversidade, eu faço uma plataforma pra crescer de novo na vida.

Mas, maestro, você atropelou tudo, você pulou tudo o que eu perguntei (risos). Quero saber de você na escola, se você dava trabalho, se você tirava boas notas... Vamos voltar?
Então, vamos voltar... (risos). Aos oito anos, quando comecei os estudos de piano, fui para o Liceu Pasteur e fui um ótimo aluno até o Clássico (hoje Colegial), acredite.

Eu li na internet que teve uma época em que você tinha sete pianos em casa, três de cauda inteira numa sala só. Isso era influência do seu pai?
Meu pai gostaria de ter sido pianista mas não conseguiu. Ele teve uma parte da mão decepada numa máquina gráfica quando tinha 10 anos – e foi por isso que ele não pode seguir com o piano.

Qual era profissão de seu pai?
Ele seguiu com a indústria de perfumaria, matérias primas para grandes indústrias.

E a de sua mãe?
Minha mãe era do lar.

Você e seus irmãos deram muito trabalho pra ela?
Não, não... Normal.

Educar quatro homens não deve ser brincadeira pra uma mãe! (risos).
Não, nenhum de nós quatro deu problemas pra ela nem para o meu pai – nem na juventude (época em que normalmente se dá trabalho para os pais).

Mas a gente é de outra época, não é? (risos).
Tivemos muita sorte, não só com os pais, mas com filhos, netos, temos muita sorte.

Você estudava piano quando era criança e eu também. Eu era meio discriminada por causa disso. Você era?
Naquela época achavam que um garoto de 10 anos tocando piano deveria ser “gay”... Mas eu nunca fui discriminado pelo seguinte: tudo aquilo que você faz na vida, você projeta a tua imagem, você chega dizendo pra que veio, aí todo mundo acaba te respeitando. Não era discriminado, não, pelo contrário, eu acabava até virando o “pop star” da escola porque quase todos iam assistir meus concertos no Teatro Municipal e tinham muito orgulho. Eu jogava futebol direitinho naquela época e fazia parte do time do Liceu.

E as meninas?
Comecei a namorar lá pelos 14/15 anos...

Nossa! Que cedo!
Mas até os 18, eu era virgem... (gargalhada). E aí, aos 18 anos, quando comecei minha carreira internacional, iniciei uma nova vida: passei a morar no exterior. Nessa “vida dos sonhos” tive a estréia logo no Carnegie Hall e corri pelo mundo inteiro.



Maestro João Carlos Martins_3

Maestro João Carlos Martins_4
A despedida do piano, em 2003 A regência, a partir de 2005



Você escolheu Bach ou foi Bach que te escolheu?

Bach... É... Talvez minhas mãos funcionassem melhor para o repertório de Bach. A parte técnica das minhas mãos, talvez funcionasse mesmo melhor para Bach. E com Bach eu descobri um universo, porque Bach é um compositor que Bill Gates nunca vai conseguir fazer, porque Bach foi o único computador com alma na História e Deus rasgou a fórmula – nunca mais vai aparecer outro. Porque a música dele é pura matemática, é pura emoção. Foi assim que eu levei (e levo) a vida. Aos 20, eu estreava em Nova York, em Londres, em Berlim, em Paris, em tudo que é canto... E eu achava que a vida iria até o fim, assim, sem nenhuma adversidade... Quando sofri a ruptura do nervo lunar aos 26 anos, imaginava que tudo tinha acabado. Mesmo assim, fiz uma operação e, com dedeiras de aço, eu consegui tocar por mais dois anos.

Você usou dedeiras de aço? Eu não sabia, não.
Tinha até fotos disso na época, com dedeiras de aço. Mas após um concerto em Nova York, a crítica foi negativa.

Negativa por quê?
Porque eu já não tocava tão bem com as dedeiras quanto tocava antes. E falei pro meu empresário: cancele tudo, porque nunca mais vou tocar piano. Voltei para o Brasil, vendi meus pianos e fui estudar numa faculdade de turismo para iniciar uma nova vida. Eu, que tinha tocado nos palcos do mundo inteiro, fui iniciar uma nova vida, pedir emprego num banco, nem queria ouvir falar de música...

Você estava frustrado?
Muito frustrado! Por isso é que eu não podia ouvir falar de música. Aí encontrei o Éder Jofre. Falei pra ele: “Éder, você tem de recuperar o título mundial para o Brasil e, se você quiser, eu serei teu empresário”. O Éder disse: “Mas, João, eu já estou com 37 anos”. E, no dia seguinte, o Éder Jofre me telefonou: “Vou começar a treinar”. E, pra encurtar a história, eu, que tinha falado: “Você tem de recuperar o titulo mundial para o Brasil”, um ano e meio ano depois ele recuperava o título e um ex-pianista era empresário dele... Quando vi o juiz levantar o braço dele, falei pra mim mesmo: “Meu Deus! Sou um covarde!”. Vale a famosa frase de Eça de Queirós: “Fazemos a vida.” Aí decidi comprar um piano e comecei a estudar novamente. Percebi que se não usasse este dedo aqui (mostra o dedo lesionado), praticamente eu não iria recuperar a minha velocidade da mão. E, realmente, depois de muito estudo, já numa escala, eu fazia as 21 notas num segundo. Foi assim que voltei para o piano.

O Éder Jofre foi o empurrão, não é mesmo?
Foi por causa do Éder Jofre que fiz minha reestréia no Carnegie Hall – e foi talvez o concerto mais emocionante da minha vida...

Foi aquele concerto em que público ficou por 5 minutos em pé te aplaudindo?
Não foram 5, foram 10 minutos. Tiveram de apagar as luzes para o público ir embora. Esse foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. E no dia seguinte, comecei a gravação da obra completa de Bach. Aí a “vida dos sonhos” voltou, correndo o mundo, viajando pelo mundo, mas sempre gravando em Los Angeles. Porém, sete anos depois, eu estava com Síndrome de LER , Lesão por Esforço Repetitivo. E com o LER, pela segunda vez, tive de me afastar do piano, o período mais conturbado da minha vida: fiz a besteira de me envolver com a política, em campanha eleitoral...

Não quero falar sobre política com você, não vim aqui pra isso.
Eu sei, mas eu fiz essa besteira e, por causa disso, um crítico falou que como pianista eu não poderia ter interesses políticos. Leio o jornal com ele me perguntando se eu iria responder. Falei que jamais respondo para um crítico porque eu sei como está minha consciência antes de tudo.

Pra mim, quase todosos críticos são frustrados...
É, eu nunca vi a biografia de um crítico (risos). E aí o que me aconteceu? Eu, no dia seguinte, abro o mesmo jornal e vejo o artigo maravilhoso do meu pai e. Se você está com LER, se você ficar alguns anos sem exercer aquela função, você recupera os movimentos originais. Foi o que aconteceu comigo. Voltei a gravar estava acabando de gravar as obras de Bach. Mas, saindo de um teatro, na Bulgária, sou assaltado e ganhei uma lesão cerebral. Oito meses, no Memorial Hospital em Miami, comecei um tratamento de reprogramação cerebral.

Eu vi no filme “A Paixão Segundo João Carlos Martins”, no Youtube. Emocionante esse filme!
Eu, com o lado direito comprometido, começo a medir os impulsos do cérebro pelo computador.

Foi na aquela vez que o médico te falou que teria de tratar primeiro o braço e depois a mão e você disse que não, que você queria primeiro a mão porque é com a mão que você toca e não com o braço?
É, vou e começo a fazer uma nota por segundo, 2, 3... 15, 20. As células mortas nunca mais voltam. As que substituíram me deixaram com o braço direito funcionando novamente. Mas aí veio o período mais complicado: eu podia tocar, eu podia dormir, mas a cada palavra que eu falava, tinha um espasmo e a dor era monumental. Essa dor foi crescendo, foi crescendo... E, em 1996, os médicos me disseram que teriam de cortar o nervo e nunca mais eu iria tocar – mas teria qualidade de vida. Eu recusei. Dois anos depois, não aquentei mais sentir tanta dor e, 15 minutos antes de entrar no palco, em Londres, telefonei pra eles: "Podem marcar a cirurgia, vou para os Estados Unidos e podem cortar meu nervo. Eu sei que o piano acabou para mim”. O espasmo continua mas com o corte do nervo, eu não sinto dor.

Aquela dor é como se enfiasse uma faca na sua mão, não é?
É mesmo. Era como enfiar uma faca. Aguentei isso por dois anos. Aí fiz a operação e “perdi” a mão direita. Comecei uma carreira com a esquerda, voltei a correr a Europa e a Ásia e depois de dois anos, surge um tumor na mão esquerda.

Que coisa, maestro! É mesmo a saga das mãos...
Sim, perdi os movimentos da mão esquerda. Foi quando tive um sonho com o pai do violinista e regente Sergei Eleazar de Carvalho (filho do maestro Eleazar de Carvalho), que me falou em sonho: "Vai estudar regência”. E comecei na regência. Nesses cinco anos, com quase 700 concertos para mais de um milhão e duzentas mil pessoas, em concertos fechados, e mais de 3 milhões ao ar livre e fazendo trabalhos sociais. Por acaso coincidiu de vocês virem aqui hoje e vão ver esse trabalho – vamos pra uma reunião da Fundação Casa. Com esse trabalho, que faço esporadicamente, mas cada vez é com muita força, vou a toda periferia de São Paulo e todos os meus cachês, nesses cinco anos, foram pra Fundação Bachiana. Estamos educando 800 crianças hoje e vamos chegar a três mil, fazendo um trabalho, ates de tudo, de amor. Não é que a Fundação telefona pra mim e pergunta se eu posso ir... Quando me telefona a Dorina Nowill (uma fundação para Cegos), qualquer coisa que é relacionada com o social, a pessoa telefona e pergunta quanto cobro um concerto, e respondo: "Quanto eu tenho de pagar pra fazer esse concerto?" .


Maestro João Carlos Martins_5

Maestro João Carlos Martins_6
A regência de Sergei Eleazar de Carvalho,
filho do maestro e amigo Eleazar de Carvalho
Com o tenor Jean William, seu "afilhado"
de apenas 23 anos



(Pausa porque ele vai atender a um telefonema).

O Manoel Carlos pediu pra eu gravar um depoimento para o último capítulo da novela Viver a Vida (daqueles que passavam no final de cada capítulo). Fiz e foi muito emocionante – é que estou vivendo de novo a "vida dos sonhos", onde eu digo que a pior coisa que aconteceu na minha vida foi perder as mãos para o piano e a melhor que aconteceu na minha foi perder as mãos para piano...

E qual sua opinião sobre a novela Viver a Vida?
Eu vejo o Manoel Carlos como uma pessoa excepcional, genial, embora não tenha tempo para acompanhar as novelas que ele escreve, por causa dos ensaios. Mas o pouco que assisto, percebo que tem sempre alguma ferida da sociedade que ele mexe e que remexendo consegue alertar o egoísmo das pessoas, no fundo, uma porção de sentimentos de uma pessoa e consegue despertar bons sentimentos. Então, eu acho o Manoel Carlos muito importante para o país.

E também os órgãos governamentais são sacudidos com os temas e põe em prática diversos benefícios pra população que estavam engavetados...
É, é isso mesmo.

Em relação às adversidades que enfrentou, você sempre deu a volta por cima, maestro.
Não só eu. Esse moço aqui, o Sergei Eleazar de Carvalho (que estava ao nosso lado durante a entrevista) também sofreu muitas adversidades na vida, adversidades que acontecem com qualquer jovem.

Sim, o filho do maestro Eleazar de Carvalho...
O Sergei é um violinista fantástico. Falei pra ele: "Com o talento que você tem, o único herdeiro do seu pai, não sou eu, é você mesmo o herdeiro e deve se conscientizar disso. Daqui a cinco ou seis anos, o Brasil vai reverenciar você, como reverenciaram seu pai." E ele fez sua estreia comigo, na Sala São Paulo, no dia 07 de março deste ano.

Deve ter sido lindo!
Foi mesmo. Vamos lá comigo assistir no Youtube.

(Vimos primeiro o maestro regendo com Sergei ao violino e depois o maestro ao piano sob a regência de Sergei. Foi emocionante, arrepiante, as lágrimas brotaram de nossos olhos, sem permissão, sem pedir licença, assistimos de pé num pequeno escritório com sete pessoas (eu, o maestro, sua secretária Tatiana, o violinista Sergei, o tenor Jean Willian, a secretária da Fundação Casa e a editora-chefe do DestaqueSP, Kley Tassitani). E voltamos pra sala, todos com lágrimas nos olhos.

Maestro, quer continuar ou a gente termina depois, com mais calma?
Não, faz mais perguntas (risos).


Maestro João Carlos Martins_7

Maestro João Carlos Martins_8
Carnegie Hall, em Nova York: 10 minutos de aplausos
Com Chitãozinho e Xororó: casa lotada na Sala São Paulo



Você ficou afastado do piano duas vezes por sete anos e fez nove cirurgias. O que esse tempo representou na tua alma, dentro de você?

Dentro de mim, no começo, eu não tinha maturidade suficiente e eu me afastei do piano, da música. Eu só vim a ter maturidade depois dos 60 anos, ou seja, quando tudo parecia perdido. Foi aí que eu fiz questão de continuar na música – isso pra mim é o que conta. E eu, por ter errado por duas vezes e por não continuar na música, mas depois procurar se aprimorar nas qualidades e excluir os erros de sua vida, fazendo com que aquelas qualidades que talvez tive na infância, se multiplicar – isso pra mim é o que conta também. E é isso que está acontecendo comigo agora, é o que está acontecendo na minha vida: assumi uma responsabilidade social muito grande e uma responsabilidade, também, com a música muito forte.

Se não tivesse acontecido esses problemas com as suas mãos, mesmo assim você estaria fazendo esse trabalho social?
Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Esse trabalho social eu sempre fiz,esporadicamente. Pra você ter uma idéia, quando eu tinha 12 anos, dei o meu primeiro concerto. Fui com meu pai receber o cheque e ele queria abrir uma conta na Caixa com aquele cheque. E fiz questão em depositar para o Instituto Padre Chico (para beneficiar os cegos). E tive muitas ações assim durante toda minha vida, mas esporádicas. Mas eram não como agora, uma ação definitiva.

E com relação à integração da sua música com a classe mais humilde? Ai! Nem sei como falar isso!
Com os menos privilegiados financeiramente?

Sim. O seu envolvimento com essas pessoas mudou alguma coisa no seu trabalho, na sua musicalidade?
Acho que você acaba sendo uma pessoa mais emotiva, mais sensível, porque você vai conhecendo os problemas da sociedade brasileira e no momento em que a pessoa fica mais emotiva e paralelamente ela cresce um pouco dentro de si mesma, entende? Então, eu diria que esse trabalho cada vez mais me emociona e aumenta sensivelmente minha responsabilidade.

Até em relação a eles mesmos.
É, a eles mesmos porque você passa a significar uma espécie de exemplo pra eles e você faz de tudo pra não decepcioná-los.


Há alguns anos, vi sua execução do Hino Nacional na Praça Campos de Bagatelle, no Dia do Trabalhador. Você tocou do seu jeito, deu a sua própria interpretação ao Hino Nacional, e foi ovacionado. Foi um show para o povo, para um público que não costuma ouvir música clássica, mas passou a curtir o teu trabalho.
O que acontece é o seguinte: você tem de levar a música pra todos os segmentos da sociedade. Se você está numa favela, você tem de entrar no palco com o mesmo amor que você entra numa Sala São Paulo ou no Carnegie Hall, em Nova York, ou em Paris. Se você faz isso, você realmente consegue transmitir e chegar até o coração das pessoas.

Como é que surgiu o trabalho que você realiza com a bateria da Vai-Vai?
Eu propus para o Tobias pra gente experimentar o 1º Movimento da 5ª Sinfonia de Beethoven com a bateria. E é impressionante a musicalidade dos ritmistas da Vai-Vai! Eles têm uma musicalidade que poucos têm, o que demonstra que a música está dentro do brasileiro, é só ter oportunidade...

E a interação que você teve com o mestre Tadeu da Vai-Vai?
Ah! Foi maravilhoso.

Na minha opinião, ele não é só mestre de bateria, é um regente também, não é? Afinal, ele é nota 10 há muitos anos na apuração do Carnaval de São Paulo
Ele é maravilhoso, adoro o Tadeu...

Conheço o Tadeu. Ele tem cara de bravo, mas não é nada disso (risos).
É, e o trabalho dele na escola é impecável.

Você pretende dar continuidade nesse trabalho com a Vai-Vai?
É muito pouco o que eu faço na Vai-Vai. Vou lá de vez em quando, uma vez a cada três meses mais ou menos. Sinto vontade, apareço por lá e fazemos “um barulho” (risos). Sou muito amigo do Tobias e estamos preparando o samba enredo do próximo ano. Vou ser enredo da escola em 20110. O enredo já tem nome: "A Música Venceu”. Agora vou estar muito mais presente na Vai-Vai por esse motivo.

Se depender da nossa divulgação, a Vai-Vai vai ser campeã... (risos).


(Quando chegamos em sua casa, na hora em que ele foi atender o telefone, eu e a Kley vimos os cartazes do samba-enredo e das alas da Escola que o carnavalesco deixou em cima da mesa da sala para o Carnaval 2011).


E o que é pra você, todo dia, acordar às 5 da manhã pra estudar?
Eu estudo pouco e o som é mais bonito que a dor, então, sou uma pessoa feliz. Eu não estudo muito piano, estudo mais regência. Aí eu formei uma Fundação, eu sou o maestro da Fundação que começou um trabalho pra integrar jovens da sociedade, não só como inclusão social, mas pra que eles tenham uma luz no fim do túnel semi-profissionalizante, pra que eles possam ver a música como uma profissão. Então nós temos aquele departamento pra jovens que no fundo serão parte de um projeto pra jovens que serão músicos amadores, jovens que poderão ser profissionais e jovens que são diamantes a serem lapidados. Então aqui, por exemplo, o Jean Willian é um diamante a ser lapidado, vai ser um dos maiores tenores do Brasil. E nós temos muitos jovens como o Jean. A Fundação quer fazer a diferença no Brasil no que diz respeito ao ensino de música aos jovens carentes. Nos últimos três anos, eu diria que não cumpri meus objetivos mas agora sim, estamos tendo uma metodologia que vai ganhar muito (aplausos das pessoas que estavam na sala...)

Quando eu estava na escola, no antigo ginásio, tinha música no nosso currículo escolar.
Tinha mesmo, mas tiraram.

Tiraram por quê?
Tiraram nos anos 70. É por isso que eu digo que as duas pessoas mais importantes do Brasil, na música, foram Getúlio Vargas e Luís Inácio Lula da Silva. Getúlio Vargas porque atendeu Villa-Lobos e incluiu a música nas escolas – mas tiraram na década de 70. E, agora, o Lula porque a partir do ano que vem vai ter música nas escolas novamente!!! Sabia, disso, Cléo? E, eu tenho certeza que depois de uns três ou quatro anos com música nas escolas, diminuirá a criminalidade, com certeza. E agora entreviste o Jean William (um jovem tenor, também, logo, logo, o Brasil vai reverenciar) e depois o Sergei, porque eu já falei demais... (risos de todos na sala)...



Maestro João Carlos Martins_9

Maestro João Carlos Martins_10
O piano: presente até na decoração de seu apartamento
Descontração e emoção durante a entrevista



Confira também:
A Saga das Mãos - Maestro João Carlos Martins


Fotos: divulgação/Fernando Mucci (reprodução)/Kley Tassitani


Cléo Tassitani
Cléo Tassitani
Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.



Comentários (0)Add Comment

Escreva seu Comentário
quote
bold
italicize
underline
strike
url
image
quote
quote
smile
wink
laugh
grin
angry
sad
shocked
cool
tongue
kiss
cry
pequeno | grande

security code
Escreva os caracteres mostrados


busy
 

Twitter em Destaque

Siga DestaqueSp no Twitter